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Regulação sem norma
o dilema da regulação por casos concretos



DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO REGULATÓRIO, REGULAÇÃO, PODER NORMATIVO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS, DIREITO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR, PROCESSO ADMINISTRATIVO NORMATIVO, ESTADO DE DIREITO, ESTADO ADMINISTRATIVO, REGULAMENTO, SEGURANÇA JURÍDICA, PRÊMIO JOVEM PUBLICISTA


Sinopse

O debate sobre a regulação da economia costuma focar as falhas de mercado e as estratégias utilizadas pelo Estado. No entanto, uma questão fundamental e anterior raramente é enfrentada: a regulação deve se materializar em normas gerais e abstratas, ou pode ser definida caso a caso, a partir de decisões em processos concretos?

Este livro mergulha nesse dilema, que opõe a flexibilidade necessária à regulação e a segurança jurídica indispensável ao Estado de Direito. A partir da análise de casos recentes e emblemáticos do direito regulatório brasileiro, a obra investiga a fundo a tensão entre a normatividade e a casuística na regulação.
O autor defende a existência de uma “preferência por normas”, que não elimina a possibilidade de a política regulatória ser detalhada em decisões concretas, desde que haja justificativa.
A partir de diálogos com a teoria do direito, com a análise econômica do direito e com a experiência norte-americana, o trabalho examina as circunstâncias que legitimam a regulação sem regras prévias, os limites dessa atuação e as salvaguardas necessárias para proteger os administrados. Oferece ao leitor uma análise aprofundada sobre os efeitos e as formas de controle dessa importante escolha regulatória.

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Metadados adicionados: 12/05/2026
Última alteração: 12/05/2026

Autores e Biografia

Cunha, Luiz Filippe Esteves (Autor) - Mestre em Direito Público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Procurador do estado do Rio de Janeiro. Advogado.

Sumário

PREFÁCIO
A MORALIDADE DA REGULAÇÃO NO BRASIL
OU ATÉ ONDE PRECISAMOS DE NORMAS?
André Rodrigues Cyrino ................................................................................. 11
APRESENTAÇÃO
Carlos Ari Sundfeld, Eduardo Ferreira Jordão, José Vicente Santos de
Mendonça, Juliana Bonacorsi de Palma ....................................................... 15
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO .................................................................................................. 19
a) Contextualização do problema a partir de três casos concretos . 19
b) Por que encarar o tema? A tensão entre a normatividade e a
casuística e suas manifestações no direito regulatório................. 32
c) O problema a ser enfrentado e a tese defendida: a preferência
por normas na regulação .................................................................. 40
d) Roteiro ................................................................................................. 45
e) Convenções conceituais e semânticas............................................. 47
CAPÍTULO 2
A ESCOLHA PROCESSUAL REGULATÓRIA: O TRADE‐OFF ENTRE
ATOS E NORMAS NA REGULAÇÃO........................................................... 51
2.1 Estado de Direito, normas e regulação: as premissas
fundamentais da exigência de normas ........................................... 51
2.1.1 O Estado de Direito e o Direito Administrativo
contemporâneo: tensões no contexto do processo
administrativo regulatório ............................................................... 52
2.1.1.1 Observações preliminares: nomenclatura, foco na concepção
formal de Estado de Direito e aplicabilidade dos princípios à
atividade regulatória......................................................................... 52
2.1.1.2 Os princípios do Estado de Direito................................................. 59
2.1.1.3 Os princípios aplicados à escolha processual regulatória ........... 64
2.1.2 Outras dificuldades: adequação procedimental e democracia
participativa........................................................................................ 69
2.1.3 Os limites à escolha processual regulatória e a preferência por
normas................................................................................................. 72
2.2 Fundamentos e limites da regulação sem normas........................ 83
2.2.1 Estratégias incrementais na formulação e na implementação
de políticas regulatórias e sua relevância na regulação de
mercados dinâmicos.......................................................................... 83
2.2.2 Regulação contextual e responsiva e a importância da
flexibilidade........................................................................................ 88
2.2.3 O debate sobre regras e standards e a escolha processual
regulatória........................................................................................... 90
2.2.3.1 A literatura da análise econômica do direito sobre regras e
standards .............................................................................................. 91
2.2.3.2 Para além da maximização da eficiência: outras visões sobre a
distinção entre regras e standards .................................................... 96
2.2.3.2.1 O fenômeno da convergência .......................................................... 96
2.2.3.2.2 A importância de examinar a aplicação efetiva da norma pelos
agentes públicos................................................................................. 101
2.2.3.3 Síntese parcial da importância do debate sobre regras e
standards .............................................................................................. 104
2.2.4 Valorização do papel do contencioso administrativo na
regulação............................................................................................. 105

2.2.5 O pragmatismo jurídico na aceitação da regulação caso a caso . 111
CAPÍTULO 3
A PREFERÊNCIA POR NORMAS NA REGULAÇÃO................................ 113
3.1 Discricionariedade regulatória e precisão normativa .................. 113
3.1.1 Discricionariedade, conceitos jurídicos indeterminados e
autovinculação normativa da Administração Pública ................. 113
3.1.2 Busca da precisão normativa e moinhos de vento:
inevitabilidade da regulação por casos concretos......................... 128
3.1.2.1 Inevitabilidade circunstancial.......................................................... 128
3.1.2.2 Inevitabilidade interpretativa .......................................................... 134
3.1.2.2.1 Motivar decisões como o ato de formular regras gerais .............. 134
3.1.2.2.2 Interpretação administrativa e juridicidade: o desafio do
“encargo de concreção normativa” e a inevitabilidade de
densificação em concreto.................................................................. 140
3.1.2.3 O mito da regulação plenamente previsível.................................. 145
3.2 As bases normativas da preferência por normas .......................... 146
3.2.1 Princípios constitucionais que informam a escolha processual
regulatória........................................................................................... 148
3.2.1.1 Estado de Direito e segurança jurídica........................................... 148
3.2.1.2 Princípio da igualdade e democracia participativa ...................... 157
3.2.1.3 Outros princípios a depender da situação concreta ..................... 159
3.2.1.4 A estrutura dos princípios e a preferência por normas................ 160
3.2.2 Regulação por casos concretos como abuso de poder
regulatório .......................................................................................... 162
3.3 A preferência por normas em regulações restritivas de direitos
e no direito administrativo sancionador........................................ 165
3.3.1 As particularidades do direito administrativo sancionador à
luz da segurança jurídica e do princípio da legalidade ............... 168
3.3.2 A legalidade sancionadora possível: a intensidade da
preferência por normas e a inexistência de um dever de
especificação absoluto....................................................................... 176
3.3.2.1 Modelos regulatórios e sancionatórios flexíveis, segurança
jurídica e Estado de Direito.............................................................. 178
3.3.2.1.1 Autorregulação regulada.................................................................. 178
3.3.2.1.2 A técnica da regulação baseada em princípios.............................. 187
3.3.2.1.3 As técnicas regulatórias flexíveis e a previsibilidade para os
regulados quanto à eventual imposição de sanções e outros
gravames ............................................................................................. 189
3.3.3 A legalidade sancionadora possível no direito positivo.............. 194
3.3.3.1 O art. 30 da LINDB e os meios alternativos para assegurar a
segurança jurídica.............................................................................. 194
3.3.3.2 O art. 4o‐­A da Lei da Liberdade Econômica .................................. 197
3.3.4 Conclusões parciais da seção ........................................................... 202
CAPÍTULO 4
OS EFEITOS DA PREFERÊNCIA POR NORMAS........................................ 205
4.1 O controle da forma processual regulatória .................................. 205
4.1.1 O entendimento da Suprema Corte dos Estados Unidos ............ 207
4.1.1.1 O precedente paradigmático Chenery II........................................ 208
4.1.1.2 O caso Wyman‐­Gordon e a retrospectividade da decisão
concreta ............................................................................................... 212
4.1.1.3 O caso Bell Aerospace ....................................................................... 214
4.1.1.4 Aparentes incompatibilidades da “doutrina Chenery II” com o
direito brasileiro................................................................................. 217
4.1.2 Necessária autocontenção no controle da escolha processual
regulatória........................................................................................... 220
4.1.3 As alternativas de controle da escolha processual regulatória ... 224
4.1.3.1 O argumento de “bypass” ao processo administrativo
normativo e o caso Winity‐­Telefônica............................................. 224

4.1.3.2 Rearranjo de incentivos: estímulos à autocontenção
administrativa e dosagem da intervenção judicial conforme a
modalidade processual adotada...................................................... 231
4.1.3.3 A exigência de justificativa para a densificação da política
regulatória em casos concretos ........................................................ 236
4.1.3.4 O controle externo operacional sobre as agências reguladoras
no Brasil e a preferência por normas............................................... 245
4.2 Salvaguardas substitutivas............................................................... 250
4.2.1 Precedentes administrativos persuasivos e vinculantes.............. 251
4.2.2 Participação de terceiros em processos concretos......................... 259
4.2.3 Diretrizes, guias e atos de interpretação ........................................ 264
4.2.4 Dever de alerta e não surpresa ........................................................ 269
CAPÍTULO 5
CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 273
a) Síntese conclusiva .............................................................................. 273
b) Uma nova e necessária agenda de pesquisa .................................. 285
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 289



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