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Uma arte média
Ensaio sobre os usos sociais da fotografia



sociologia da cultura, teoria social contemporânea, cultura visual, estudos da imagem, produção simbólica, práticas culturais, consumo cultural, distinção social, antropologia visual, pensamento crítico francês


Sinopse

Publicado originalmente nos anos de 1960, Uma arte média tornou-se um marco da sociologia da cultura ao deslocar o olhar sobre a fotografia do campo estritamente estético e psicológico para o terreno das práticas sociais. Partindo de pesquisas empíricas e análises sociológicas rigorosas, o grupo de pesquisadores coordenado por Pierre Bourdieu investiga como a fotografia se insere no cotidiano, nas relações familiares, nas instituições e nos diferentes grupos sociais. A obra examina os usos sociais da fotografia, suas funções simbólicas e seus códigos implícitos, mostrando como ela participa da produção de distinções, valores e hierarquias. Longe de ser um simples registro neutro da realidade, a fotografia aparece aqui como uma prática socialmente regulada, atravessada por normas, expectativas e disposições de classe. O livro oferece ao leitor instrumentos teóricos fundamentais para compreender a fotografia como fenômeno social, cultural e histórico.

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Última alteração: 07/07/2026

Autores e Biografia

Bourdieu, Pierre (Autor) - É um dos autores mais lidos em todo o mundo nos campos da sociologia e antropologia, considerado um dos maiores intelectuais de seu tempo. Foi catedrático de Sociologia no Collège de France e autor de dezenas de trabalhos, entre os quais, publicados pela Vozes, A reprodução (com Jean-Claude Passeron), O senso prático, Sociologia geral (5 volumes), Questões de sociologia, Escritos de educação, A miséria do mundo (coord.), Interesse no desinteresse e Um convite à sociologia reflexiva. É um dos autores mais lidos em todo o mundo nos campos da sociologia e antropologia, considerado um dos maiores intelectuais de seu tempo. Foi catedrático de Sociologia no Collège de France e autor de dezenas de trabalhos, entre os quais, publicados pela Vozes, A reprodução (com Jean-Claude Passeron), O senso prático, Sociologia geral (5 volumes), Questões de sociologia, Escritos de educação, A miséria do mundo (coord.), Interesse no desinteresse e Um convite à sociologia reflexiva. ; Quart, Rita (Autor) - Luc Boltanski é sociólogo e diretor de estudos da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). Reconhecido internacionalmente, é um dos principais nomes da sociologia contemporânea, com contribuições decisivas nos campos da sociologia crítica, da moral e das formas de justificação social. É autor de obras fundamentais sobre crítica social e regimes de ação. ; Castel, Robert (Autor) - Robert Castel (1933-2013) foi sociólogo e diretor de estudos da EHESS. Sua obra concentrou-se nas transformações do trabalho, da proteção social e das for mas de vulnerabilidade nas sociedades modernas. Castel é amplamente reconhecido por suas análises sobre exclusão social, precariedade e a chamada “questão social” contemporânea.; Chamboredon, Jean-Claude (Autor) - Jean-Claude Chamboredon (1930-2020) foi sociólogo e pesquisador do Centre de Sociologie Européenne. Colaborador próximo de Pierre Bourdieu, des tacou-se por suas contribuições metodológicas e empíricas à sociologia da educa ção, da cultura e das práticas sociais, participando de pesquisas fundamentais no desenvolvimento da sociologia crítica francesa.; Ribeiro, Fábio (Tradutor)

Sumário

Sumário
Apresentação, 9
Prefácio, 15
Introdução, 17
O estudo da prática fotográfica e da significação da imagem fotográfica é uma ocasião
privilegiada de implementar um método original que pretende captar numa compreensão
total as regularidades objetivas das condutas e a experiência vivida dessas condutas.
PARTE I, 27
1 Culto da unidade e diferenças cultivadas, 29
A explicação da prática fotográfica pela universalidade de uma “necessidade” de
fotografias toma o efeito pela causa.
I. A fotografia, indício e instrumento de integração, 34
A prática fotográfica é função da integração da família ao mesmo tempo em que
tem uma função de integração como rito de solenização.
II. Ocasiões de prática e prática de ocasião, 48
Determinada por sua função familiar, a prática fotográfica normalmente é
associada aos momentos-chave da vida familiar e não tem como libertar-se
das ocasiões que a determinam e transformar-se em prática autônoma sem
contradizer sua função.
III. Devotos ou desviantes?, 56
A prática libertada da função familiar é encontrada nas pessoas menos integradas
e aparece muitas vezes como uma forma de expressão do desvio. Ela se define com
maior frequência pela recusa das normas que determinam, para cada classe social,
a qualidade e a intensidade da prática.
IV. Distinções de classe e classe distinta, 64
Diferente das outras práticas culturais, a fotografia é desvalorizada por sua divulgação,
de modo que as atitudes das diferentes classes sociais em relação a essa prática
obedecem à lógica do esnobismo como busca da diferença pela diferença.
2 A definição social da fotografia, 94
I. Uma arte que imita a arte, 94
Apenas um realismo ingênuo considera realista a representação fotográfica
do real; se ela aparece como objetiva é porque as regras que definem seu uso
social estão conformes à definição social da objetividade.
II. O “gosto bárbaro”, 102
A estética popular que se expressa na produção fotográfica ou em relação
às fotografias é o oposto de uma estética kantiana; ela sempre subordina a
produção e utilização da imagem, e a própria imagem, a funções sociais.
III. A hierarquia das legitimidades, 120
Várias das atitudes que a fotografia suscita são explicadas pelo fato de ela
situar-se a meio-caminho entre as práticas vulgares e as práticas nobres.
PARTE II, 125
Separados da grande massa dos utilizadores da fotografia que efetivam em sua conduta
a verdade social da fotografia sem apreendê-la como tal, os grupos que serão estudados
aqui têm em comum romper com a adesão ingênua à definição social da fotografia, que
jamais fica mais clara do que quando se tenta zombar dela ou jogar com ela.
1 Ambição estética e aspirações sociais, 127
Ainda que todos os membros de um fotoclube tenham em comum o desejo
de romper com os usos correntes da fotografia, eles não oferecem a mesma
justificativa para sua nova prática.
I. A impaciência dos limites, 129
Numa sociedade dominada pelo modelo da arte tradicional (e pelos grupos
que tendem a monopolizar seu uso), a atividade dos fotoclubes é pensada em
referência à pintura. Entretanto, a prática fotográfica é inspirada menos pela
tentativa de imitar essa arte do que pelo esforço em ser digna de uma certa
imagem de sua função social.
II. As paciências do ofício, 139
Nos clubes de recrutamento mais popular, a referência à arte é atenuada em
benefício da justificação técnica. Apesar de a fotografia não ser mais um fim
em si mesmo, ainda assim podemos nos perguntar se a aceitação franca da
câmera e das manipulações não reefetivaria uma atitude perdida em relação à
cultura que cedeu espaço para as “artes mecânicas”.
2 A retórica da figura, 152
Utilizar a fotografia para testemunhar eventos reais e transmiti-los por meio da
imprensa parece conforme à definição social da atividade fotográfica.
I. O periódico e o instantâneo, 153
Os fotógrafos de France-Soir esforçam-se para mostrar o evento quando ele
acontece e produzir imagens “objetivas”. Para os fotógrafos de Paris-Match,
a fotografia deve ser “sintética” e “simbólica”; assim, eles se contentam com
cenas reconstituídas após o fato, em vez de fotografias feitas ao vivo, e às vezes
até as buscam porque é mais fácil fazer os símbolos aparecerem nelas.
II. Alusão e elipse, 160
France-Soir e Paris-Match diferenciam-se em primeiro lugar por sua
periodicidade. A distância temporal que separa cada publicação dos eventos
que relata deve ser medida em valores relativos. O simbolismo, tal como
utilizado por Paris-Match, é antes de tudo uma elipse.
III. A parada da objetividade, 164
Imposta pelas necessidades próprias da imprensa, a fotografia composta jamais
se oferece como a fotografia de uma encenação. O desfoque constitui a qualidade
dominante da fotografia do jornal diário porque é a garantia de sua autenticidade.
3 Trompe l’œil e faux-semblant, 174
Como encontrar a unidade de significação de um objeto duplo de estudo, a
fotografia e a fotografia publicitária?
I. Um gênero de compromisso, 175
Entre os gêneros industrial e artístico, a fotografia publicitária enfrenta
uma certa dificuldade para encontrar sua especificidade. A prática admite
amplos campos de variação, mas permanece submetida à necessidade de fazer
coincidir na obra o realismo fotográfico com a sugestão publicitária.
II. Os jogos duplos, 180
A publicidade lucra com o crédito de realismo desfrutado pela fotografia para
sugerir com isso uma intenção que será aceita como realista. Jogos duplos desse
tipo são típicos de toda expressão publicitária, mas o slogan verbal permite uma
retórica mais livre do que a figura, que sempre deve permanecer representativa.
III. A mensagem codificada, 188
A fotografia publicitária fundamenta sua eficácia na oferta de uma imagem
acessível a seus espectadores e “situada” socialmente e não na impregnação do
subconsciente, e cumpre uma função eminentemente alegórica.
4 Arte mecânica, arte inculta, 194
I. Situação de exceção e lugares-comuns, 195
A abundância das teorias e discussões estéticas revela, por meio da recorrência
dos problemas e da uniformidade das respostas, a consciência da oposição à
definição social da fotografia.
II. Uma criação indecisa e uma estética decisória, 197
Como a percepção descontínua e seletiva dos momentos do ato fotográfico
autoriza as ambiguidades da criação, a intenção artística, sempre em questão,
pode aparecer como obediência às determinações impostas pelo autômato
e fidelidade às obras propostas pela natureza. Ela se afirma decretando um
sistema rigoroso e arbitrário de normas e proibições.
III. Reminiscência estética e pertencimento social, 206
Impedidos pela incerteza da imagem fotográfica de pedir para as tradições
estéticas a definição de uma hierarquia de objetos valorizados, os estetas
caracterizam-se antes de mais nada por sua relação com os grupos que
constituem essas tradições.
5 Pessoas de ofício ou pessoas de qualidade, 215
Os fotógrafos insistem em afirmar a baixa coesão de sua profissão. Pode-se
buscar a razão para isso na análise das expectativas que precedem a entrada na
profissão de fotógrafo e daquelas que sobrevivem a ela.
I. A expectativa da profissão e as expectativas dos profissionais, 215
A diversidade das atitudes dos fotógrafos em relação à sua atividade na
verdade mascara a diversidade das condições objetivas na profissão, ela
própria resultado da persistência das diferenças ligadas à origem social.
II. As boas maneiras: os fotógrafos e o sucesso, 229
Como o sucesso na fotografia está ligado à fotografia dos objetos valorizados
e ao contato com os meios prestigiosos, é apenas levando em consideração
os “modos” e a classe, herança social por excelência, que se pode captar as
modalidades da ação da origem social sobre as situações profissionais.
Conclusão, 249
É somente após termos analisado os usos sociais da fotografia em sua diversidade
que podemos formular sem ambiguidade o problema de suas condições psicológicas
de possibilidade.
Imagens e fantasias, 251
I. Um símbolo superinvestido, 253
A maneira como a fotografia foi aceita demonstra que ela pode acolher
significações muito diferentes sem ser um objeto neutro. O próprio direito
sofre de um mal-estar e uma ambivalência a seu respeito.
II. Fantasias latentes e imagens manifestas, 266
A fotografia parece poder fornecer um suporte à atividade fantasmática
inconsciente. Mas o simbolismo patológico e o simbolismo fotográfico não
estão no mesmo nível. A imagem fotográfica fornece menos uma via de acesso
ao inconsciente e mais um pretexto a racionalizações pré-conscientes.
III. Exorcismo e sublimação, 278
A alta estruturação do objeto fotográfico, sua quase saturação consciente,
dirigem-no mais para as regiões sublimadas do devaneio e do estetismo do
que para as estagnações da doença mental. Ele também pode assumir funções
sociais e oferecer um simbolismo intermediário para a regulação e disciplina
da vida subjetiva.
Cronologia das pesquisas utilizadas, 287
Apêndice, 289
O questionário, 301
Referências, 309
Índice, 313
Sobre os autores, 315



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