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Celacanto



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Sinopse

Ao estampar na capa de seu novo livro de poemas a palavra “celacanto”, peixe que é considerado um “fóssil vivo” por representar espécies extintas há dezenas de milhões de anos, Thiago Ponce de Moraes convoca os leitores para uma reflexão sobre o tempo do fazer poético, ou melhor, sobre a persistência da vida — e da poesia — num tempo hostil. Note-se, ainda, que o título-peixe permite ouvir o nome de Paul Celan, poeta fundamental para o autor, e também “canto”, um dos vários nomes da poesia.


Dividido em sete partes, Celacanto cobre um arco vasto e coeso de questões. Vasto, sim, porque os poemas movem-se entre o amor, a chegada dos filhos, a partida dos avôs e de um amigo, a escrita, a escuta, o silêncio. Mas todas essas indagações estão lançadas no “abismo do presente”, em que “o porvir se afunda”. Não é por acaso que todas as seções, desde seus títulos, são marcadas pela temporalidade (“A pré-história dos sentidos”, “Depois da colisão”, “O tempo da peste”, “A eternidade mantém-se nos limites”, “Demorar-se no sonho dos bichos”, “Uma data em cada mão” e “Antes”).


O poeta é “hóspede do instante”, mas quer saber o que persiste em tudo que se transforma, e busca, em cada verso, “fazer um furo/ no futuro/ lançar uma bomba/ ao futuro”. Por isso, a convocação para que o celacanto, um peixe “contra a lógica do tempo”, desvende “aquilo que insiste em nós” (somos nosso próprio fóssil?). Por isso, descascar as palavras para ver o que elas escondem, o que arrastam do passado. Por isso, manter-se vivo, manter a poesia viva em meio à “fúria obscura/ da passagem do tempo”.

Metadado adicionado por Editora Fósforo em 09/03/2026

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Metadados adicionados: 09/03/2026
Última alteração: 01/04/2026

Autores e Biografia

Moraes, Thiago Ponce de (Autor) - Thiago Ponce de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 1986. É poeta, tradutor, professor e psicanalista. Estreou com Imp. (Caetés, 2006) e, desde então, publicou diversos livros, como Dobres sobre a luz (Lumme, 2016), finalista do prêmio Jabuti, uma fotografia (Leonella, 2017), Espacelamentos (Urutau, 2023) e Limites do diáfano (Primata, 2024). Entre suas traduções, a mais recente é da obra do poeta palestino Najwan Darwish, Um garoto de Haifa gira a palavra (Urutau, 2024).

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