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O astrágalo



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Sinopse

Publicado em outubro de 1965, o romance O astrágalo, de Albertine Sarrazin (1937-1967), conta a história da jovem delinquente Anne. Ao fugir da prisão, ela conhece Julien, seu grande amor, e fratura o pequeno osso do calcanhar que dá nome ao livro.


Autobiográfico até a medula, O astrágalo retrata uma vida na fronteira entre a precariedade, o submundo e a efervescência boêmia de Paris na metade dos anos 1960 — às vésperas, portanto, dos acontecimentos de maio de 1968. Tida por muitos como “alma gêmea de Jean Genet” ou “padroeira dos escritores inconformistas”, Albertine Sarrazin é poética sem perder o vigor narrativo ou abandonar a linguagem das ruas. Com descrições afiadas, peculiar senso de humor e tremenda dimensão introspectiva, o livro foi elogiado, antes mesmo de sua publicação, por ninguém menos que Simone de Beauvoir. Seus direitos de publicação foram disputados pelas mais importantes editoras da França e, embora combatido pelo gosto mais tradicionalista, obteve sucesso imediato ao sair, ganhou prêmios e fez carreira internacional. Uma vez lançado em outros países da Europa e nos Estados Unidos, influenciou toda uma geração de escritores e, sobretudo, de escritoras. Sua permanência fica evidente no prefácio de Patti Smith, contido nesta edição.


Bonnie & Clyde da nouvelle vague, o casal Albertine e Julien evoca também Michel e Patricia, protagonistas de Acossado (1960), de Godard. Uma frase de Albertine, dita ao juiz em sua primeira condenação, exprime bem a força de sua literatura: “Não tenho nenhum remorso. Quando tiver, eu aviso”.

Metadado adicionado por Editora 34 em 03/02/2026

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Metadados adicionados: 03/02/2026
Última alteração: 23/02/2026
Última alteração de preço: 03/02/2026

Autores e Biografia

Sarrazin, Albertine (Autor) -

Albertine Sarrazin nasceu em 1937, em Argel, capital da então colônia francesa da Argélia. Deixada por sua mãe, uma adolescente espanhola, aos cuidados do órgão de acolhimento do Estado, foi adotada por um casal de idosos e recebeu uma educação rigorosa. Aos dez anos, foi violentada por um tio paterno, e após a família mudar-se para Aix-en-Provence, no sul da França, começou a revelar um comportamento rebelde. Cinco anos depois, em 1952, foi posta num colégio interno, e em seguida seu pais obtiveram autorização judicial para interná-la em um reformatório em Marselha. No ano seguinte fugiu da instituição rumo a Paris. Lá reencontrou uma ex-colega do reformatório e juntas viveram uma iniciação na marginalidade, roubando carros, furtando lojas e se prostituindo para sobreviver. Ao tentar assaltar um supermercado, Albertine feriu uma vendedora com um tiro. Procuradas pela polícia, as duas amigas foram presas em agosto de 1953, quando Albertine tinha dezesseis anos. Enviada à penitenciária de Fresnes, foi condenada a sete anos de prisão. Por correspondência, passou no exame de formatura do ensino médio, e foi transferida para uma prisão-escola em Doullens, em 1956, ano em que seus pais anularam a sua adoção. Ali se inscreveu em um curso de estudos literários, mas antes das aulas começarem, em abril de 1957, Albertine escapou da prisão, pulando um muro de dez metros de altura e fraturando um osso do calcanhar, o astrágalo. Na fuga conheceu Julien Sarrazin, um ex-presidiário que continuara a levar uma vida à margem da lei. Ele escondeu Albertine na casa da mãe e os dois se apaixonaram. Em setembro de 1958, em Abbeville, os dois foram novamente presos, Julien por roubo, do qual foi inocentado, e Albertine por uso de documentos falsos. Em fevereiro de 1959, Julien e Albertine casaram-se em Paris, ela escoltada por dois policiais. Em 1964, após uma série de furtos, perseguições da polícia e prisões, os dois se instalaram em uma velha casa de aldeia em Saint-Andréfabula-de-Majencoules. Foi então que Albertine pode se dedicar aos escritos que havia iniciado na juventude, durante suas sucessivas detenções, como La Cavale [A fuga], e Les soleils noirs [Os sóis negros], a primeira versão de O astrágalo. O manuscrito de La Cavale foi lido por Simone de Beauvoir, que o recomendou à Gallimard, mas a editora Pauvert arrematou os dois romances, La Cavale e O astrágalo, e os publicou simultaneamente em 1965. O sucesso de O astrágalo foi ainda maior que o de La Cavale, e o livro recebeu o Prêmio dos Quatro Júris em 1966 e a autora passou a trabalhar na sua adaptação para o cinema. Antes da estreia do filme, porém, e após a publicação de seu terceiro romance, La Traversière, Albertine, que tinha saúde frágil, acabou falecendo durante uma cirurgia, em 10 de julho de 1967, pouco antes de completar trinta anos.

; Kalil, Mônica (Tradutor) -

Nascida em São Paulo em 1968, Mônica Kalil formou-se em Comunicação Social pela ESPM (1989) e Administração de Empresas pela FGV (1991). Voltando-se às letras e ao mercado editorial, tornou-se mestre em Estudos da Tradução pela Universidade de São Paulo (2017), com dissertação sobre Marguerite Yourcenar, e integrou, como preparadora de texto, a equipe da Comissão da Verdade da mesma universidade (2016-2017). Entre suas traduções mais recentes, destacam-se As formas do visível: uma antropologia da figuração, de Philippe Descola (Editora 34, Coleção Fábula, 2023) e Sobre a violência e sobre a violência contra as mulheres, de Jacqueline Rose (Fósforo, 2022).

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